quinta-feira, 28 de julho de 2011

Era apenas uma partida de futebol

Era apenas uma partida de futebol (28/07)

Domingo de sol, parte da tarde, todos se dirigiam ao trem eufóricos, final de mais um campeonato de futebol no Rio de Janeiro e era apenas uma partida de futebol.
João Marcelo não gostava de futebol, João Marcelo não gostava de esportes e nem de aglomerações, ficava na dele baixando os últimos episódios de seus mangás e se colocando naquele mundo de fantasia, mas era domingo e a cerveja de seu pai estava para acabar e ele tinha como missão completar o freezer, visto que seu pai não queria perder um único lance do jogo.
O rapaz caminhava compassado até a padaria, só que dessa vez resolvera encurtar o caminho e passar pelo buraco na parede da linha do trem. A estação estava quase vazia apenas um senhor com sua bengala, uma jovem com cara de assitente social e um casal com a esposa grávida.
A padaria lotada, o jogo estava sendo transmitido pelo canal a gato da comunidade local, a confusão era um farra do tamanho de um jogo ao vivo, cada um revelando sua paixão. Dona Maria, a salgadeira, foi ter com João Marcelo para entregar uns lençois que lavara para sua mãe.
o rapaz tecia considerações tais quais o brasileiro reclama da falta de dinheiro, mas todo fim de semana era o churrasco, o pagode e a pelada com muitas geladas em cima da mesa e nem menos por isso faltava alegria. Quase chegando à estação ele escuta um grito de ajuda e vai ao encontro - era a mulher grávida que apresentava problemas, parecia que o bebê já estava para nascer - a mocinha era realmente uma assitente social e começou a fazer os procedimentos para trazer o bebê de Lindaura paar este mundo, o pai uma figura humilde só chorava. Em um gesto repentino, João Marcelo pegou um dos lençois e ajudou a cobrir a mulher no momento e depois mais outro para esquentar o bebê, ajudou a assitente social a chamar o táxi e colocou o casal para que pudessem ir até um hospital próximo. João estava feliz.
O pai ao ver o moleque muito tempo depois, questionou o atraso: - Que demora com as minhas loirinhas!
-Ah, pai! era só uma partida de futebol, o milagre da vida é sem dúvidas muito maior.

Non sense

Palavras sem sentidos(28/07)

Para Sweetie B.

Qualquer coisa feita pode ser esquecida
a palavra será sempre lembrada
Coisa feita, palavra dita
lembrada, esquecida
Tudo pode ser consertado
a vida precisa ser modificada
toda a vida
consertada e modificada
Algumas atitudes não deveriam ser tomadas
Atos não precisam ser justificados
atos,atitudes
não tomados ou não justificados
A confusão toda poderia ter sido evitada
A confiança não precisava ter sido quebrada
A coisa, a palavra, toda a vida,tudo
atitudes,atos,confusão, confiança
Em
amar,querer bem, gostar, não modificar,consertar, justificar
Ah - como é difícil conquistar um coração:
É bem mais fácil reconstruí-lo!
Esquecer do feito e refazer
o que deveria ter sido
dito e não-dito.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lembranças

A casa antiga(27/07)

Depois de muito tempo sem visitar o bairro onde nasci, resolvi tirar um fim de semana para esta entediante viagem.
A serra apresentava as mesmas condições de sempre, alguns pontos perigosos continuavam sem sinalização e as vendedoras de bananas, queijo e artesanato continuavam no mesmo lugar como se fizessem parte da geografia local dando um toque ainda mais bucólico à paisagem.
As casas continuavam as mesmas, sem nenhuma grande mudança, todo aquele bairro até um pouquinho antes da casa de meus pais havia sido tombado pelo Patrimônio Histórico e apenas uma moradora vendera seu imóvel para uma empresa estrangeira que deixou o esqueleto da frente octagenária e logo depois uma moderna construção com Leds piscando de um lado para o outro.
Raul, Rodrigo e Rômulo - os três Érres do inferno - como eram conhecidos nas peladas dos finais de semana estavam juntos, talvez como sempre, mas muito diferentes. Estavam com Fillipo, um aposentado recém-chegado em uma mesa no Bar da Alegria Finita, do Porfírio; porque como o dono dizia- essa alegria tem hora para acabar, eu preciso dormir! - E os três agora ostentavam um figurino muito diferente da época.
Raul ganhara a pressão alta dos pais e tornara-se diabético, Rodrigo ficou viúvo, não desistiu e casou de novo e a mulher morreu de novo, dizem as más línguas que isso abalou sua saúde mental e Rômulo, um pouco antes de me mudar, havia sido contactado pelo Cruzeiro, só que em seu primeiro fim de semana em Minas sofreu um acidente de carro que custou-lhe a amputação de uma perna - e de esportes agora só queriam saber do jogo de tranca, a paixão de onze entre dez aposentados na região.
Perguntei-lhes sobre minha casa. Silenciaram, mas falaram que deveria ir vê-la. depois de um copo de café e um pão na chapa, entrei no carro e segui rumo à antiga casa de meus pais. para meu espanto era não mais uma casa e sim um mercadinho.
Estacionei o carro e senti como se estivesse fazendo uma viagem de volta, era tal qual o barulho da Brasília dos amigos de meus pais quando ele chegava da pescaria. Parei, olhei bem para o local tentando imaginar a cor lívida e as grandes janelas que faziam parte de um jardim onde cravos e rosas se miscigenavam com girassois e margaridas, entrei.
Na entrada onde havia um tapete de "Lar doce lar" estava pintado em letras garrafais num tom agressivo o logo da empresa, um pedaço da saudade de retornar à casa começava a me ser tirado.Continuei meu passeio tentando localizar a casa, onde seria a sala que minha mãe sentava comigo e meus irmãos para ler as histórias de Júlio Vernes e outros autores era um enorme salão onde anunciava-se bicicletas do último tipo que as crianças de minha época jamais pensaram existir e pelo gente com o preço de hoje também não poderão ter.
O velho ocorredor que ligava aos quartos e onde largávamos os brinquedos no afã da correria para pegar um bom lugar na sala de histórias era a parte dedicada às frutas e hortaliças, mas confesso não quis e não consegui ver o viço bom e brilhante como o pequeno pomar da frente da casa - que tinha virado o estacionamento. O quarto de Rachel com suas bonecas e o cheirinho peculiar de talco de bebê virou o açougue, numa ideia louca veio na minha cabeça imagens de bonecas com cabeças de vacas brincando e brigando umas com as outras. O de meu irmão Pedro, que era o mais fofo da família, por só saber de comer porcarias, virou a parte de produtos dietéticos, isso só poderia ser ironia com as minhas lembranças!
Resolvi caminhar um pouco mais, cheguei a uma parte de saldos e produtos em promoção cheia de pessoas ávidas pelas melhores oferas - era o quarto de minha mãe, onde provavelmente todos nós fomos gerados no mais puro amor , acalentados e depois onde choramos quando ela se partiu vítima da doença. Relembrei-me da cena e algo me deixava nervoso ao constatar todas as minhas memórias criando vidas em instantes e em instantes sendo destruídas por um pedaço de construção sem afeto e carinho, peguei o chiclete e fui para o caixa.
A imagem do caixa sentado empacotando os produtos do freguês que estava na minha frente lembrou-me do espaço de meu pai sentado à mesa e convocando os filhos para o jantar sem a participação da televisão, da mesma mesa que chorou ao ver partir todos os filhos para suas respectivas faculdades em outras cidades,a mesma mesa onde o socorremos ao chegarmos de surpresa para comemorar seu octagésimo aniversário e ele estava tentando um início de derrame e a mesma mesa que ele quis levar para o asilo onde passou os seus últimos dias...silêncio, a catarse precisava ser completada! Mais alguma coisa, senhor? perguntou o caixa, fiz que não com a cabeça e retornei ao carro.
Suspirei, olhei uma última vez para onde deveria estar a casa e os ossos do esqueleto desse fantasma chamado lembrança não moveu um único passo, ficando no mesmo local. Liguei o carro, pensando em Laura e nos carinhos de meus filhos que chegariam da colônia de férias em poucas horas.
(Inspirado livremente em Lobo Antunes)

terça-feira, 26 de julho de 2011

O olhar

O olhar(26/07)

Teu corpo não precisa de perguntas
Muito menos de respostas
Sua respiração indica volúpia
seus movimentos mostram desejo
A leveza do toque dos seus dedos
e a força do abraço que me aperta
juntando o meu ao teu corpo
mostra a força e o desejo do querer
tais como animais selvagens
encurralados num canto
prontos para matar,
se forem machucados
e livres para amar,
se forem perdoados
e esse desejo é revelado
pela parte de tua alma
mais explícita
teu
Olhar

Um copo de vinho

Um copo de vinho(26/07)

Um copo de vinho
um pouco de cólera
um pouco de vinho
num copo de cólera
Um pouco de alegria
num copo com água
Um pouco no copo
Alegria com a água
Um pouco no copo
Vinho,água,alegria,cólera
De tudo um pouco
E apenas um copo

domingo, 24 de julho de 2011

Sonambulando

Sono

Som

De mil pessoas viajando numa rave

E você

Querendo apenas

Um canto para

Viajar num

Travesseiro

Do Amar e outras Loucuras

Do Amar e de Outras Loucuras

São quase três da manhã

Um carinho no teu rosto

Faz você despertar de um sono bom

Quase não repara na beleza da companheira

Ébrio nos braços de Morfeu

A voz doce dela vem com uma pergunta:

-Você gosta de mim?

Claro, amor, sempre!

Ah! Se ela soubesse que a razão de minhas noites tranquilas

É saber que suas formas e seu corpo não me abandonam

E de um sono solto, abraça-me mais cativo em teu amor.

Simply B.

Ela

Pintura

Tela vazia de autor em busca

Prato com flores

Paisagem

Folha em branco de um poema

Sem musa

Sem eu-lírico

Sem dores

Escultura grega

de um não-deus grego

Cordas de violão

E uma música doce apenas para você

Das pequenas coisas

Das pequenas coisas(25/07)

Zero horas e quatro minutos, não bate o sono habitual e nem o cansaço, talvez da tensão do dia,tentei deitar e de repente veio uma pequena coisa a me cutucar a cabeça:O que se fazer das pequenas coisas que você quer esquecer, mas que na verdade você não precisa de se esquecer, talvez reinventar, talvez repaginar, talvez se afastar para se aproximar demais dando o devido valor a elas?
Das pequenas coisas para não nos preocuparmos com coisas maiores. Em um país da América do Sul, o governo compra carros superfaturados, libera empreiteiros de dívidas e impostos e castiga professores como se estes fossem os verdadeiros vilões de toda uma sociedade, de um hosppital onde uma mulher entra fantasiada de enfermeira sequestra o recém-nascido de uma mãe e se entrega 30o e poucos kms depois transformando a vida de um casal em um verdadeiro inferno. De policiais que matam um menor e legistas e peritos que se enrolam em uma simples perícia marcando ainda mais de dor e sofrimento toda uma nação com essa sensação de impunidade.
São pequenas coisas que pertubam toda uma sociedade, seja classe A,B,C, de comunidade e de favela, não são apenas as comunidades que têm de ter voz ativa, mas as favelas também - não é viver de vale,bolsa ou algo que não valha dar sua cidadania em troca de uns poucos legumes ou leite a mais na já magra dieta.
São pequenas coisas que me incomodam - a traição, a mentira, a falsidade, a substituição por só substituir, sem se criar amarras, a adoção de amigos novos que podem e serão ainda mais problemáticos ao invés de se buscar o conforto e a solução nos velhos, se a bebida está batizada mudamos de bar e procuramos outro? Será que é assim que se faz com amigos? Até mesmo um oi,como vai? que não aconteceu me incomoda! Bater na mesma tecla me incomoda!Dia certo para isso! - isso também incomoda.
Quero atender o telefone e ouvir aquela voz que não esperava ouvir, mas sabia que a qualquer momento a ouviria e imaginar os olhos castanhos e a pele clara brilhando, o canto da boca levantando um sorriso e a comunicação estabelecendo alegria como se não precisasse de explicação, pois explicação é uma das pequenas coisas que perdem lugar, quando você retoma o meu Norte.
Dizer que você se faz presente em um dia de sol pela manhã visto de um dos quartos do hotel de tua cidade, o lago, a serra, você é o Norte, o Sul, o Leste, o Oeste - eu apenas um viajante pelos sonhos de tuas curvas

O que levou Paulo?

Paulo era um sujeito pacato, sentava-se sempre no canto da sala na segunda fileira, os cabelos nunca se encontravam despenteados, pois sua mãe sempre cobrava dele estar bem alinhado, porém seus óculos fundo-de-garrafa deixavam-no fora de sintonia e menos amigável para a aproximação das meninas. Essas mesmas meninas que nunca notaram a ausência dele na hora do lanche, pois de família pobre, não poderia pensar em comprar salgados e refrigerantes - estava fadado a pão com mortadela ou uma fruta fonte de potássio a cada dia.
Paulo era um sujeito pacato, pela falta de amigos dedicou-se aos estudos, passou muito bem no vestibular, mas seu cabelo e seus óculos não haviam mudado e as meninas de seu curso, assim como a dos outros cursos, continuavam a não se interessar, restava como companheiro o pão com mortadela e a banana para poder aguentar a viagem de volta até o subúrbio em um trem lotado.
Paulo era um sujeito pacato, gostava de cinema e vídeo-jogos; os filmes eram de suspense onde jovens sempre estavam cercados por um assassino que sofrera algum tipo de trauma na infância. Os jogos eram sempre de guerra, onde Paulo poderia ser um heroi, um sobre-humano, completamente diferente da vidinha medíocre onde nem pensara uma única vez na vida em levantar a voz para reclamar algo que lhe era de direito, nos games era ele que tinha o poder de decisão, o poder supremo.
Paulo era um sujeito pacato, pacato até o dia que roubou um carro forte e dois dias depois instalou um mecanismo de controle remoto no mesmo e o estacionou quase de frente a uma igreja, era domingo e os fieis se encontravam louvando com fervor aos gritos, quando aos gritos se misturaram o barulho do corcel invadindo e levantando pelos ares duas dúzias de pessoas e ateando fogo em quase tudo.
Paulo, do alto do prédio em frente, ainda era um sujeito pacato, quando reparou que algumas pessoas conseguiam fugir pelos escombros, quando pegou seu rifle e apontou para a menina de cachos encaracolados que chorava ao procurar pela mãe. Paulo reconheceu naquele rosto angelical o mesmo rosto de Isabela, a menina que, numa única situação escolar, pedira uma ajuda na prova de Química, e que o jovem pacato negara. Isabela chamou a professora e o acusou de pedir a cola. Paulo que era um rapaz pacato ficou ainda mais pacato, pois com a vergonha de ser chamada na escola, sua mãe aplicara-lhe uma surra que fez soltar uma fera nada pacata.
Paulo, com um único tiro sela o destino daquele anjo, solta a arma ao chão, pega um pedaço de pão com mortadela, sobe no parapeito do terraço, abre os braços e de forma pacata solta aos ceus. Paulo era um sujeito pacato, inadequado com os seus e vítima de uma juventude pacata.

Felicidade ou Segurança

Riscos e petiscos(24/07)

A vida só valerá a pena se for realmente vivida. Mas como viver bem uma vida válida? Hoje se a sociedade te impinge viver com alguém, para que você não seja considerado esquisito, um solitário ou uma pessoa que possa distúrbios graves e emocionais, como escolher ou ser escolhido a pessoa certa ou pela pessoa certa?
Jovens se arriscam com adrenalina, quanto mais emoção melhor. Imagino-me tendo 18 anos de novo e tendo que me sociabilizar num estilo de vida diferente de quando tinha, verdadeiramente, tornado-me "responsável" pelas minhas irresponsabilidades. Acho que não sobreviviria de modo tão agradável,na minha época era comum sair, bater-papos com amigos, fazer passinhos coreografados, experimentar a cerveja que desce redondo e terminar aos beijos com a menina que fez par na dança lenta na arquibancada do ginásio ou no espaço para descansar do clube.
Arriscar-me hoje seria ,primeiro, descobrir se sou do lado A ou B e de repente sentir que poderia estar do lado de fora. Ao invés de focar em uma menina morena rosa, focaria em alguém para começar uma briga que terminaria do lado de fora. Beijar para quê?
Se acasso beijasse, ao invés de pensar em ligar no dia seguinte e engatar um namoro, sairia para um banheiro e depois partiria para outra, contabilizando um total de "ficadas" ou "pegadas", e seria geralmente um ou dois beijos nem tão bem dados assim. Não haveria jamais comprometimento.
A ausência desse comprometimento me lembra uma analogia para minha vida hoje: devo sair como quem entra em um avião e vai fazer salto livre, sem planejar onde cair, um terreno pantanoso, águas de um rio, areia da praia, ou mata fechada cheia de bichos de caras feias? Ou devo sair para um passeio por um terreno conhecido, com a roupa adequada e calçado certo para o terreno a ser andado?
Acho que as loucuras que deveriam ter sido feitas já as foram. Loucuras agora só com a certeza de que as consequências não irão prejudicar nem ao outro e nem a mim, bem agasalhado para não pegar nenhum tipo de intempérie, bem calçado para não torcer o pé e nem o coração e aproveitar essa vida de forma consciente sem deixar de ser divertida.

One more try ou Mais uma vez de novo e sempre

De novo(24/07)

Hoje, manhã fria de inverno só penso no calor do teu corpo, na maciez dos teus abraços e no doce sabor do teu corpo, compartilhar isso todos os dias era bom demais. veio o verão e a vontade de mudança aconteceu. Corpos vagos, abraços não tão apertados e sabores sem graça dessas frutas do norte em lábios experimentalistas de mentes vazias e sem conteúdos. Como gostaria de mais uma vez, tentar, redundantemente, de novo, e acordar sempre e sempre feliz ao teu lado

sábado, 23 de julho de 2011

Think about !

“...Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do
ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo.
Tenho um sorriso confiante que as vezes não demonstra o tanto de
insegurança por trás dele. Sou inconstante e talvez imprevisível. Não
gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me
irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras.
Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as
pessoas pra quem eu me explico.”(Bob Marley)

A Cor da cultura

http://www.acordacultura.org.br/

O sagrado constitui uma categoria universal da experiência humana. A religião e a noção de religiosidade estão entre nós desde sempre.
Este artigo baseia-se nas necessidades observadas durante os cursos de formação de professores para trabalhar com a Lei 10.639/03.
Nos anos 70, Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do escritor e humorista Sérgio Porto, fez um enorme sucesso com o “Samba do crioulo doido”.

Cobranças

100%

Eu e você cem por cento, impossível! Ninguém faz nada 100%, escreve 100% correto, fala 100% bem, entende tudo 100%, age 100%, quanto mais ficar 100% com alguém? Dê-se feliz em estar com alguns por centos de alguém, pois você poderia estar zerado!!!

Um anjo toca no céu

Amy (23/07)

Despertei de um pesadelo, estava sonhando que andava com minha mãe em um mercado de produtos frescos onde todo sábado realiza-se uma feira portuguesa e do lado de fora um morro abraça gentilmente esse mercado, de repente elevo minha vista e vejo uma máquina de virar cimento vindo dos céus caindo no meio do estacionamento e outras máquinas pesadas e funcionários se jogando encosta abaixo. Acordei sobressaltado e fui lavar o rosto e tentar esquecer essa imagem. Ao chegar à sala, minha mãe diz: -Sabe quem morreu? Amy Winehouse.

Amy Winehouse morta, ou simplesmente elevada a outra categoria? A vida para ela parecia não ter mais uma saída perfeita, um final ao menos feliz, Amy já perdera a batalha quando disse NO,NO,NO. Suicídio? Homicídio? Overdose? Gostaria de ouvir depois de toda a enxurrada que vai sair nos jornais e televisão apenas um fim, para que ela pudesse celebrar um novo início não ser mais o problema que ela era, como já avisara em outra música cantada com a alma, que estava muito distante do corpo, do seu primeiro contato com shows aos 16 até sua partida aos 27, foram apenas 11 anos. Onze mágicos e fantasmagóricos anos que agora assombram sua família e seus fãs.

Amy Winehouse, 27 anos, morta, como Jimmi Hendrix, janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain, este último para mim covarde que preferiu um tiro na cabeça ao invés de abraçar os carinhos demoníacos da morte, não quero dizer que Amy não seja, por mim, considerada, uma suicida, algo que será esclarecido definitivamente, logo, não hoje. Hoje quero pensar que ela se voltou para o que ela prenunciava no segundo disco – I´m back to Black. O Black que poderia ser entendido como o negro da raiz do jazz e do soul que ela cantava com uma alma de escrava anciã vivendo seus últimos dias antes de se tornar uma mulher livre, mas o Black de mal, de deprimida, como aliás em uma cultura branca convencionou-se a colocar tudo ruim como black. Essa cor preta que a cercava deve tê-la finalmente largado, pois se Deus é justo, e O é, a esta hora, Amy está abraçada por anjos vestindo branco e fazendo duetos com Ray, Haddaway e sarah.