sábado, 23 de julho de 2011

Quando dois e dois não é nada ou tudo

Nós dois, a sós, só (23/07)

Quisera poder ter um momento realmente a sós com você, mas vejo que a sós nunca existirá. Sinto-me como se estivesse sendo vigiado por centenas de olhos reprimindo-me como se fosse avançar sobre uma faixa de pedestres onde uma senhorinha atravessa bem lentamente com seu andador, mas o que essa senhora tem de atravessar essa faixa e bem nesse momento?

Quisera poder receber um carinho realmente puro de você, sem que duvidasse de meus reais motivos. Sinto-me julgado por você como uma pessoa premeditada, que estuda todos os movimentos preparando um xeque-mate, onde você ao invés de rainha é o rei que precisa ser derrubado neste tabuleiro, quando, na verdade, não quero um jogo só sua companhia.

Acompanhar, companhia, cúmplice, culpado ou culpada, ou simplesmente inocentes medrosos medrando com a sensação de ser engolido por milhares de olhos ao mesmo tempo, olhos que vão se transformando em tentáculos de um enorme polvo que vai te puxando para o mais profundo, dos profundos dos mares, mares de piratas esquisitos, sem olhos de vidro e pernas-de-pau, sem papagaios e sem uma boa dose de rum.

Mas para que ter esse momento a sós? Os olhos não sairão daqui, a velhinha cismou de parar no meio da faixa e dançar uma valsa vienense com o polvo de muitos braços, o pirata toca harpa – Mas de onde ele tirou essa harpa? A sós significaria cortar metade de tudo aquilo que amamos e hoje temos um ao outro, amiga em comum, uma baianinha muito fofa, e amigos incomuns que nunca serão parte do comum em nós, e talvez muito menos amigos.

O momento a sós torna-se único, mas não como você idealizara, uma tarde de cinema com pipoquinha e guaraná, porque nossos múltiplos olhos que antes observavam transformam-se em criaturas que espinham, que maltratam, que nos deixam infelizes. Observo e vejo que sinto você e você também sentem estamos finalmente a sós, Só que a sós, um em cada ponto da cidade, separados pela distância de pontos cardeais você no Sul e eu ao Norte e hoje percebo que quero tua amizade Só.

Um comentário:

  1. Hum, se parece mto com o que senti a pouco. Esse texto me veio a calhar. Mto bom professor (;

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